Zeca Baleiro: Minha Casa

É mais fácil cultuar os mortos que os vivos
Mais fácil viver de sombras que de sóis
é mais fácil mimeografar o passado
Que imprimir o futuro
Não quero ser triste
Como o poeta que envelhece
Lendo maiakóvski na loja de conveniência
Não quero ser alegre
Como o cão que sai a passear com o seu dono alegre
Sob o sol de domingo
Nem quero ser estanque
Como quem constrói estradas e não anda
Quero no escuro
Como um cego tatear estrelas distraídas
Quero no escuro
Como um cego tatear estrelas distraídas
Amoras silvestres no passeio público
Amores secretos debaixo dos guarda-chuvas
Tempestades que não param
Pára-raios quem não tem
Mesmo que não venha o trem não posso parar
Tempestades que não param
Pára-raios quem não tem
Mesmo que não venha o trem não posso parar
Veja o mundo passar como passa
Uma escola de samba que atravessa
Pergunto onde estão teus tamborins
Pergunto onde estão teus tamborins
Sentado na porta de minha casa
A mesma e única casa
A casa onde eu sempre morei
A casa onde eu sempre morei
A casa onde eu sempre morei